"À tarde a brisa, que subia desde a costa pelo estuário do Coura, arrepiava-lhe brandamente as corutas e uma onda balsâmica e elísia varria a Casa Grande (...).
" Aos dez anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideas próprias. Aos vinte anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos trinta anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos quarenta achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos cinquenta pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos sessenta ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos setenta só pensar já nos faz dormir. Aos oitenta só pensamos quando dormimos."
Todos nós sabemos que uma das características dos jovens é a vontade de transgredir, a vontade de afrontar regras, o “pisar o risco”. Antigamente “pisava-se o risco” ao entrar no pátio das raparigas, o risco do primeiro beijo num canto escondido dos olhares adultos… riscos, riscos e mais riscos que aos olhos de hoje não passam de pequenas e invisíveis linhas apagadas pelo tempo. Com o passar dos anos os riscos mudaram, cresceram, transformaram-se, alguns, em risco de vida disfarçados de “amor de morte”, sem que se morra de amor.
Que caminho pode tomar a escola na “gestão” do risco? O caminho da escola com grades? O caminho da vigilância apertada? Se assim for, se só este caminho for o tomado, temos de ter consciência que estamos a reprimir não só os infractores, os “pisadores” de todos os riscos, mas toda uma comunidade educativa onde bons e maus são tratados como iguais.
Outro caminho pode ser tomado! O caminho dos poetas. O caminho percorrido por Sebastião da Gama, Irene Lisboa, Rómulo de Carvalho (António Gedeão) e de muitos outros que não sabendo que eram “poetas”, foram professores. O caminho que nos leva a lado nenhum, mas nos ensina a chegar a todo o lado. O caminho do sonho, o caminho da felicidade, o caminho da alegria.
O passado não foi feito só por “poetas”, mas o futuro nunca o será sem os “poetas”.
Procuremos dar passos, mesmo que pequenos, pelos bons caminhos!
Nada melhor para descontrair no Dia do Trabalhador, que o trabalho destes senhores. Divirtam-se. O génio e a alegria de Bobby McFerrin e do Quarteto Mocarta numa época cinzenta, apesar da Primavera.
Gosto de Jorge Coelho. Sempre gostei! Nem o facto de não me situar na sua área política minimiza a admiração que tenho por ele.
Gosto da sua energia, do seu brilhantismo de político “todo-o-terreno”, da sua seriedade. Admiro-o! Além do mais, uma pequena aldeia da Beira Alta, Contenças, une-nos. Há muito que Jorge Coelho não desempenha cargos políticos. Pelos últimos acontecimentos deduzo que esta era a sua vontade, não havendo qualquer outro impedimento.
Preocupa-me o facto de que pessoas com valor, experiência e provas dadas, de todos os quadrantes políticos, troquem a causa pública pela privada, abrindo caminho a todos aqueles que a única coisa que têm no currículo é terem sido “Jotas qualquer coisa”.
"Desconfiado (Jacinto), provou o caldo que era de galinha e rescendia. Provou — e levantou para mim, seu camarada de miséria, uns olhos que brilhavam, surpreendidos [...]. E sorriu, com espanto: - Está bom!" Estava precioso: tinha fígado e tinha moela: o seu perfume enternecia: três vezes, fervorosamente, ataquei aquele caldo."
Onde hoje estão flores, antes depenavam-se galinhas
"E pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas. Que desconsolo! Jacinto, em Paris, sempre abominara favas! ... Tentou todavia uma garfada tímida — e de novo aqueles seus olhos, que pessimismo enevoara, luziram, procurando os meus. Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se regala. Depois um brado: - óptimo!... Ah, destas favas, sim! Oh que fava! Que delícia!"
" Notícias publicadas na Imprensa Regional, por volta de 1890, referem o retomar da grande tradição das Cerimónias Religiosas da Semana Santa na Vila de Sardoal, com particular destaque para as Capelas enfeitadas com floras e verduras,(...).
(...) Quando na tarde de Quinta-Feira Santa se abrem as portas das Igrejas e Capelas da Vila de Sardoal e se podem apreciar os artísticos arranjos de flores e verduras que atapetam o seu chão, quais quadros temporários dos discípulos do Mestre de Sardoal(...)"
in Gonçalves, Luís Manuel, Festividades Religiosas do Concelho de Sardoal
Eu não me recordo do nome dos Ministros da Educação do meu tempo de estudante. Por muito que me esforce não consigo encontrar um só nome na minha memória. Não tenho a mais pequena ideia da importância que tiveram na minha vida.: se gordos ou magros, altos ou baixos, justos ou injustos. Aos meus olhos de criança não existiram.
Recordo-me com reluzente memória, dos meus professores de sempre: da carinhosa firmeza do professor Silvano; do sempre bem disposto Professor Martins; da terna poesia da Professora Teresa Aparício; do generoso atento Professor José Abreu; da bondade do Professor José Rei; do sempre jovem Professor Júlio Leitão (é verdade! foi meu professor, como o tempo passa!) do genial Professor Eurico Carrapatoso, etc. Muitos tiveram igual importância, de muitos me recordo com igual memória.
Os tempos mudam. Os dias que hoje atravessamos, carregados de novos desafios, clamam por bom senso e lucidez. Estamos em tempo de avaliação. Constante avaliação.
Avaliação? Que novidade! Os meus avaliadores de sempre passam por mim e dizem-me: “Olá Professor. Não se recorda de mim?” e eu respondo “Claro que me recordo rapaz, estás um homem! Como cresceste!”
As reformas vêm, os ministros passam, os professores ficam para toda a vida.
Na revista Visão de ontem (Edição nº 783 ) foi publicado um excerto de um texto meu. Aqui fica o texto completo:
"Estou farto da "maioria" e da grande maioria da nossa classe política. Uma classe sem classe. A coragem demonstrada por alguns políticos (primeiro-ministro, ministra da educação, etc.) é elogiada por muitos. Coragem não é uma qualidade exclusiva dos bons. Tenho 42 anos, sou professor e pai de 4 filhos. Na minha vida participei apenas numa manifestação,foi no dia 1 de Maio de 1974, tinha 8 anos, fui pela mão do meu pai. No próximo dia 8 irei à segunda, com os meus filhos pela mão. Pela Educação, pela Saúde, pela Justiça... pelos meus filhos, tudo farei para que José Sócrates abandone o governo e nunca mais se aproxime de um cargo político."