Segunda-feira, 23 de Julho de 2007
Carta de um pai a um ministro
    Aconteu em Outubro passado. As coisas na saúde estão como se sabe, cada vez piores. Vivi esta situação, "senti na pele" o que é ser português hoje.
   
      Carta enviada ao Ministro da Saúde e publicada na revista VISÃO.
  
      Carta de um pai a um … ministro.

      Senhor Ministro da Saúde tenha vergonha …
    Na noite de 24 de Outubro, a minha filha de 28 meses sofreu um acidente doméstico quando brincava com uma caneta. Apesar de não querer “engordar” a estatística dos utentes do serviço de urgência, de Sardoal desloquei-me a Abrantes, Hospital mais próximo. Rapidamente atendida (nada a dizer) a minha filha foi enviada para o Hospital de Santa Maria, podendo aí, ser observada por um médico da especialidade de Otorrinolaringologia. Aguardámos pela ambulância dos bombeiros de Constância, localidade dista de 15 Km de Abrantes. 150 km mais tarde e duas horas de viagem passadas ( o mau tempo não deixou fazer melhor) chegámos ao serviço de urgência pediátrica do Hospital de Santa Maria, daí para o serviço de Otorrino. Um atendimento rápido e uma observação médica (felizmente???) curta. Regresso ao Hospital de Abrantes novamente 150 km e os últimos 11 km ( um pormenor sem importância alguma) do novo em casa.
    Concluindo: foi preciso percorrer 322 km para que um médico pudesse observar (???) a minha filha de 28 meses de idade.
    Senhor ministro da saúde tenha um “pingo de vergonha” quando falar no lucro que está a conseguir com os cuidados de saúde. Faça um favor aos portugueses: vá para casa e fique bem sossegado, faria um favor ainda maior se levasse consigo o seu primeiro-ministro (com letra bem pequena). Melhor do que isto tínhamos nós à trinta anos, quando o meu avô fazia o mesmo trajecto duas vezes por dia (tantas vezes!!!) transportando doentes ( agora utentes).

    P.S. ( socorro!!!): A minha filha nunca foi observada por um pediatra.

    António Miguel Borges
    Sardoal, 25 de Outubro do ano de 2006 (????)

   

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publicado por mborges às 23:38
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Sábado, 7 de Julho de 2007
Aquarela do Brasil
Cor, alegria, beleza...
Uma maravilha

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publicado por mborges às 23:33
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2007
Portugal
Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os
           infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe
          atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira, que o Infante
          D. Henrique foi uma invenção do Walt
          Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do
         Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino
        nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos
        espera um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se
       contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um
       resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar
       uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Se tivesse dinheiro comprava um Império e dava-to
Juro que era capaz de fazer isso só para te ver sorrir
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e
       idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce, que os
      pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer
      à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete, Salazar
      estava no poder, nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra, tenho amigos que
      emigraram, nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre, nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas
      a nado na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fossemos todos a Ceuta à procura do olho que
       Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca

Jorge Sousa Braga

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publicado por mborges às 01:19
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